Pecuária no Semiárido: criação de ovinos e caprinos no Sertão

Pecuária no Semiárido: criação de ovinos e caprinos no Sertão
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Apesar de toda a riqueza cultural e diversidade de biomas presentes na Região Nordeste, a seca e o solo pedregoso, ocorrentes principalmente no Sertão, dificultam a criação de algumas espécies domésticas e a formação de uma pecuária mais competitiva. Contudo, hoje, o Nordeste desponta como a região onde mais se concentram os rebanhos nacionais de ovinos e caprinos. Isso é possível graças a rusticidade destes pequenos ruminantes.

Inserção de raças de ovinos e caprinos no Sertão

Criação de Ovinos no SemiáridoA relação dos ovinos e caprinos com o semiárido começou (assim como a maioria das atividades pecuárias do Brasil) com a colonização portuguesa.

Raças ovinas e caprinas vindas basicamente da Costa Africana, França e Portugal, formaram os rebanhos do Nordeste. A região hoje detém 63% do efetivo de ovinos (deslanados) e 93% do rebanho de caprinos.

Raças ovinas e caprinas 

O rebanho ovino é majoritariamente formado por raças de ovelhas deslanadas e com alta aptidão para a produção de carne e pele. São elas: Santa Inês, Morada Nova e Cariri, desenvolvidas no próprio Nordeste. E também a Somalis Brasileira que, vinda da região do Chifre da África, recebeu influências genéticas de algumas estirpes brasileiras.

Já o rebanho caprino contém principalmente as raças: Moxotó, Canindé (raça com boa aptidão leiteira), Repartida, Marota e Cabra Azul. Essas são raças caprinas que se tornaram nativas, foram selecionadas naturalmente e descenderam de ecotipos trazidos pelos europeus.

O Problema do Cruzamento Desorientado

A caprinocultura e a ovinocultura nordestinas foram, por muito tempo, desorientadas. Estas atividades se desenvolviam sem controle reprodutivo, ou manejo adequado.

As criações eram pequenas e sub-aproveitadas. Afinal, os primeiros produtores baseavam-se apenas na criação das cabras e ovelhas para o sustento da família, sem nenhuma perspectiva de aceleramento produtivo ou inserção em mercados nacionais e internacionais.

SRD – ovinos e caprinos Sem Raça Definida

Como as raças ovinas e caprinas se desenvolveram sem seleção reprodutiva, foi iniciado um processo de mestiçagem e de diminuição do efetivo de algumas estirpes, tanto ovinas quanto caprinas, que tiveram a genética diluída em cruzamentos desordenados.

Com isso, os ovinos e caprinos Sem Raça Definida tornaram-se uma realidade. As cabras e ovelhas SRD têm em sua identidade genética uma variedade que não permite a rotulação em um padrão racial específico.

Nova realidade de avanços e descobertas

A boa notícia é que a realidade na criação de ovinos e caprinos no Nordeste está mudando.

O primeiro passo para a evolução da atividade veio com a organização dos criadores de ovinos e caprinos em cooperativas e o investimento da iniciativa pública e privada em pesquisa e tecnologia voltada para a ovino-caprinocultura.

Daí em diante, foram agregados o controle reprodutivo, a atenção à nutrição e à sanidade, programas de valorização dos produtos ovinos e caprinos – que partiram principalmente da utilização do leite na fabricação de  laticínios e abertura de churrascarias e restaurantes típicos.

Ou seja, foram instauradas, até certo nível, a organização produtiva e comercial, que fizeram com que os criadores de ovinos e caprinos do Semiárido sentissem no bolso a melhoria.

Vegetação, clima e solo favoráveis? Sim!

Criação de Caprinos NordesteA vegetação cultivada pelos criadores de ovinos e caprinos complementa o pasto e os arbustos nativos do Sertão. As principais fontes energéticas para os ovinos e caprinos do sertão partem do capim Buffel (espécie resistente à seca), das herbáceas nativas e da suplementação com silagens.

O clima quente não prejudica os ovinos e caprinos. Aqueles, pela falta de lã e resistência desenvolvida ao longo dos séculos, e estes por resistirem à alta amplitude térmica, sendo produtivos em climas muito quentes e muito frios.

A aplicação das tecnologias e manejos diferenciados

Embora seu histórico de desenvolvimento da ovino-caprinocultura nordestina tenha sido penoso, com reduções de efetivo, falta de tecnologia e capitalização, o que se percebe hoje é um aumento na produtividade.

A implantação de novas técnicas de ordenha de cabras e cronogramas nutritivos para a engorda de ovelhas de corte são apenas exemplos de como o cotidiano do criador de ovinos e caprinos no Sertão está mudando.

Isso é resultado de tecnologias como a da Fertili, focadas em controle e gestão, para potencializar a capacidade produtividade da fazendo desde a sua estrutura.