A Intensificação da Pecuária Faz Lucrar Mais?

A Intensificação da Pecuária Faz Lucrar Mais?
Publicado em: METODOLOGIA 360 INTENSIFICAÇÃO

A intensificação de uma fazenda pecuária de corte consiste em produzir mais carne por menos. Portanto, proporciona produtividade e lucratividade. Na prática, a intensificação a pecuária significa a implementação de estruturas básicas que auxiliam a criação do gado. Seja essa criação para cria, recria ou engorda. Além disso, intensificar também é sobre a boa gestão de cada um desses rebanhos. Afinal, também diz respeito à aplicação de técnicas inteligentes de controle de manejo.

Metodologia 360 e sua relação com a intensificação da pecuária

Nesse sentido, a Metodologia 360 de gestão vem para auxiliar no processo de intensificação da pecuária. Afinal, ela é uma forma inteligente de estruturar o ciclo produtivo da pecuária de corte. Ajudando o pecuarista a entender e aprimorar todos os aspectos da cadeia produtiva, desde a estrutura física da fazenda às instabilidades do mercado. Afinal, intensificar também é planejar, rastrear, analisar e otimizar as operações na fazenda, maximizando a produção continuamente.

Neste artigo, falaremos sobre importantes aspectos ligados à intensificação da pecuária de corte. São eles, piqueteamento, divisão de terreno, rotacionamento e adubação do solo. Além disso, ainda vamos explicar o papel fundamental da tecnologia no processo de intensificação da pecuária.

Afinal de contas, a tecnologia de gestão pecuária é essencial na hora de medir, controlar e gerir as operações da fazenda, para assim, saber se a intensificação está realmente acontecendo.  Boa leitura!

Estrutura mínima de uma fazenda de pecuária intensificada

Muitos pecuaristas pensam que intensificação da pecuária dizer respeito a uma super estrutura de confinamento e máquinas de ultima geração cuidando do gado. Mas, calma lá. A intensificar a produção de carne na fazenda diz respeito a coisas muito mais básicas e fundamentais de uma propriedade.

Quer ver um exemplo?

Um dos aspectos mais importantes na hora de estruturar uma fazenda para intensificação da pecuária é a análise das condições do solo. Algo básico não é mesmo? Porém, ainda assim muito negligenciado.

Por meio do recolhimento de amostras do solo, é possível saber exatamente o que pode ser plantado naquele terreno. Além disso, é por essa análise que se diagnostica necessidade de recuperação, se verifica a qualidade do capim, entre outras coisas.

Outros pontos básicos que merecem ser mencionados sobre a estrutura de uma fazenda minimante intensificada são:

Fazenda de pecuária intensiva

  • distribuição de aguadas: é preciso mapear os locais onde o gado fará a ingestão de água ao longo do terreno; 
  • curral: recomenda-se construir próximo à sede da fazenda, devendo ser um lugar seco, firme, livre de erosão e preferencialmente plano; 
  • cocho: tem por finalidade fornecer o alimento que irá ajudar na boa nutrição do gado. Devem estar em locais onde não há formação de lama e não fique alagado em caso de chuva. 

Piqueteamento: excelente estrutura para intensificação da pecuária

Dividir a fazenda em piquetes significa implantar o pastejo rotacionado. Quando pensamos em intensificação da pecuária, essa tática é uma tendência em crescimento nas fazendas de corte do Brasil. A razão disso é que a pecuária extensiva e com pouca estratégia vem sendo menos usada. Afinal, a queda de rentabilidade nesse sistema foi drástica.

Na prática, com o pastejo racionado, o uso do terreno é otimizado. Assim o pecuarista utiliza melhor melhor seus recursos de pasto e reduz os custos. De quebra, ainda é possível aumentar a produtividade da pecuária.

Um dos requisitos primordiais do projeto de piqueteamento da propriedade é que os piquetes tenham o mesmo tamanho. Após a delimitação do terreno, é preciso inserir a forrageira que servirá para a alimentação do rebanho de corte. 

A ideia aqui é bastante simples: o gado passa um período determinado em um piquete. Ali, o lote irá se alimentar até esgotar os recursos de capim daquele espaço. Em seguida, os bovinos em processo de engorda irão para outro piquete, até ocupar o último piquete da fazenda.

Quando chegar nesse último estágio, o primeiro piquete já precisa ter sido devidamente manejado. Ali o pecuarista irá repor a forragem e usar adubos e fertilizantes caso haja necessidade. Assim, o pecuarista aproveita sua área de pasto de forma inteligente e controlada.

Definição da área de pastagem 

Existem duas variáveis na hora de definir a área de pastagem numa fazenda pecuária que faz o piqueteamento. O PD (Período de Descanso) e o PO (Período de Ocupação). O capim necessita de um tempo para crescer e se tornar consumível pelo gado. a A intensidade e velocidade do crescimento da vegetação é algo que depende do tipo de capim escolhido.

Por isso, é preciso mensurar o seu descanso (PD), que é o tempo que o gado passa fora daquele piquete após pastejar lá por um tempo, levando em consideração o tipo de capim escolhido para a sua fazenda.

Pecuária intensiva a pasto

Já o PO corresponde ao tempo que o gado ficará naquele espaço. Na prática, é recomendado que a sua duração não seja muito longa. Variando geralmente entre 1 e 8 dias. Isso porque, nesse intervalo específico, a rebrota da pastagem tende a ser mais efetiva.

No entanto, é importante salientar que um PO de um dia é recomendável apenas na pecuária intensiva. Neste cenário, a adubação à base de nitrogênio, por exemplo, já é capaz de promover o crescimento acelerado da vegetação.

Levando em consideração o tempo de descanso e o tempo de ocupação que cada lote de gado fará, o produtor pode definir o número   de piquetes que sua fazenda precisará ter com a seguinte fórmula: 

número de piquetes = (PD/PO) + 1 

O problema da rebrota lenta

Pecuaristas também podem lidar com a situação de rebrota lenta. Quando isso acontece, possivelmente é devido à eliminação constante dos meristemas apicais da vegetação. Meristemas apicais são células que permanecem embrionárias mesmo na fase adulta. Elas dão potencial de crescimento à planta.

Entretanto, esse processo pode ser afetado pelas baixas temperaturas do inverno ou frequência demasiada de pastejo, por exemplo.

Capacidade de suporte da pastagem 

A capacidade de suporte da pastagem consiste em uma taxa de lotação. É importante definir uma taxa de lotação adequada para cada tipo de pastagem. Afinal, isso ajuda a maximizar a eficiência da engorda a pasto e do capim em si.

É importante falar que a capacidade de suporte da pastagem é uma característica dinâmica. Cada pasto pode ter uma capacidade variada de estação para estação e de ano para ano.

Para fazer o cálculo da capacidade de suporte da pastagem utiliza-se a Unidade Animal (UA). Sabemos que 1 UA equivale a 450kg. 

Vamos aqui apresentar como fazer o cálculo da capacidade de suporte da pastagem, na prática. Inicialmente, a ideia é considerar que a média mensal de matéria verde seja de 0,50kg, obtida em 10 parcelas de 1 metro quadrado. Neste exemplo, o total médio anual é 6 kg/m², resultando em uma produção de matéria verde/ha/ano de: 

1 m² ---------------- 6,00 kg 

10 000 m² --------------------- x’ 

Logo, resolvendo a regra de três acima, chegamos a um x’ de 60 000 kg/ha. Dando continuidade ao cálculo, precisamos ainda inserir um percentual de perda no pastejo, que nesse exemplo será de 20%. Portanto, chegaremos a um valor de x’’ equivalente a: 

x’’ = 60 000 - 20% = 60 000 - 12 000 = 48 000 kg/ha 

Vamos agora inserir a UA no cálculo. Dado que o animal faz o consumo de vegetação equivalente a 10% da sua massa, o consumo de matéria verde/ha/ano será de:

1 dia ----------------------- 45 kg (10% de um UA) 

365 dias ------------------- x’’’ 

Logo, resolvendo a regra de três acima, chegamos a um x’’’ de 16 425 kg de matéria verde/ha/ano. Por fim, a capacidade de suporte da pastagem (x’’’) é obtida pela regra de três abaixo: 

1 UA ---------------------------- 16 425 kg/ha/ano 

x’’’’ ------------------------------- 48 000 kg/ha 

O resultado da regra de três será uma capacidade de suporte da pastagem de 2,92 UA/ha/ano. 

Divisão das áreas 

De acordo com o Código Florestal (Lei n.º 12.651/12), reservas legais são áreas com vegetação nativa que devem ser mantidas intactas. Logo, é preciso considerar um percentual a ser preservado, considerando as regiões onde a fazenda foi construída. Dito isso, conforme o código, os percentuais são os seguintes: 

Gado pastando

  • caso a fazenda esteja fora da Amazônia Legal, 20% da área deve ser preservada;
  • se a fazenda estiver dentro da Amazônia Legal, essa porcentagem varia entre 35 e 80%; 
  • se estiver em área de cerrado, deve-se preservar um percentual de 35%;
  • caso esteja em uma área de floresta, deve-se preservar 80%. 

Para que o pecuarista possa se situar melhor, a Amazônia Legal compreende os seguintes estados: 

  • Acre; 
  • Pará; 
  • Amazonas; 
  • Roraima; 
  • Amapá; 
  • Mato grosso; 
  • Algumas regiões do Tocantins, Goiás e Maranhão. 

Tipos de pastejo 

O manejo de pastagem tem por finalidade maximizar a produção de plantas em uma área, uma etapa fundamental da intensificação da pecuária. É preciso entender que essa produtividade geralmente é maior na época de chuva e menor em períodos mais secos. A seguir, falaremos sobre dois dos principais tipos de pastejo: o contínuo e o rotacionado. 

Contínuo 

Neste tipo de pastejo, os animais costumam ocupar toda a área da fazenda, sendo bastante empregado na pecuária extensiva. Uma das principais vantagens desse sistema é a baixa necessidade de mão-de-obra, e uma das principais desvantagens está na maior dificuldade de revitalização das plantas.

Rotacionado 

A ideia básica do pastejo rotacionado é dividir a fazenda em vários piquetes. A divisão permite que os animais consumam a vegetação e, no momento em que ela acaba, eles são remanejados a outros piquetes, enquanto a plantação cresce novamente onde foi consumida anteriormente. 

A rotação é algo que depende diretamente de duas variáveis que citamos aqui: os períodos de ocupação e descanso. O pecuarista deve avaliar bem essas questões, de modo a fazer a melhor escolha da forrageira. Além disso, uma boa qualidade do solo é algo decisivo no bom desenvolvimento dos bezerros, sendo decisivo na obtenção de um bom GMD (Ganho Médio Diário).

Adubação 

Sobre adubação, a primeira prática recomendada é a análise das condições do solo. Este estudo tem por finalidade mensurar o potencial nutritivo, a determinação da espécie forrageira e a avaliação da necessidade de tratar o solo. Em relação a este último ponto, dependendo das características identificadas na análise, pode ser necessário, por exemplo, fazer uma calagem ou fosfatagem do solo.

Analise do solo e adubação

A calagem é um procedimento adotado quando o solo apresenta deficiência de cálcio e magnésio. Os níveis elevados de acidez também é um problema que pode ser resolvido com a adição desses minerais. Já a fosfatagem é a prática de enriquecer o solo com fósforo, por meio de fertilizantes com baixa solubilidade. A razão disso é que as fontes pouco solúveis costumam ser mais baratas, além do fato de a terra fazer a absorção gradual do fósforo.

Ainda que o pecuarista compre uma boa semente, isso pouco vai adiantar se o solo estiver pobre em nutrientes. Ainda sobre a fosfatagem, vale destacar que aproximadamente 1% do peso do boi pode ser composto de fósforo, reforçando a importância de verificar periodicamente os níveis do mineral no solo.

Determinação da forragem e dos bovinos 

Já falamos aqui sobre a importância de coletar amostras do solo antes de estruturar a fazenda. No entanto, o pecuarista também precisa estar atento a dois outros fatores cruciais: clima e relevo. Avaliar ambos ajudará na escolha mais adequada da forragem que alimentará os bovinos.

Escolher o melhor tipo de capim é um processo que leva em conta alguns aspectos, como:

  • Tipo de solo da propriedade
  • Nível de degradação
  • Finalidade da criação
  • Estação do ano

Por fim, é importante conhecer as forrageiras disponíveis ou mesmo contratar um especialista para formar pastos mais eficientes e produtivos.

Como o fator genético ajuda na intensificação da pecuária

Existem raças bovinas que são capazes de se adaptar a determinados climas e condições com mais facilidade. 

Os bovinos Zebu, por exemplo, que são o gado Nelore, Sindi, Gir, entre outros; são considerados animais rústicos e adaptados ao clima tropical. Já os taurinos, se darão melhor em fazendas localizadas em lugares altos e frios. Mas algumas raças dessa categoria são cheias de qualidades como precocidade e boa formação de carcaça.

O gado Zebu foi importado da Índia na década de 60. São animais de porte médio e aptidão para a carne e leite e depender da raça. Bois dessa categoria são capazes de resistir bem a condições climáticas desfavoráveis, de modo que não sofram de doenças ou até mesmo a morte.

A rusticidade de Zebu foi aproveitada em cruzas com gados europeus (taurinos). Dessas cruzas, resultaram raças referenciadas na pecuária nacional, como o Brangus e o Girolando. Assim, foi possível aproveitar as qualidades de cada um dos dois exemplares. Com animais mais fáceis de manejar, que engordam com mais facilidade e adoecem menos, o pecuarista alcança mais um fator que promove a intensificação da pecuária.

Piquete maternidade 

O piquete maternidade é um local reservado para as vacas darem à luz aos bezerros. A importância de construir esse espaço se dá no fato que os animais costumam ter bastante estresse durante o parto, e esse deve ser minimizado. Isso é extremamente relevante para propriedades de cria que querem produzir e vender bezerros mais saudáveis.

Alguns pontos cruciais a serem considerados sobre o piquete maternidade são: 

  • conforto da vaca: o ambiente para o parto deve seco e almofadado, facilitando a absorção de urina e fluidos expelidos pelo animal na hora de conceber;
  • limpeza: o projeto do piquete deve ser pensado de modo a facilitar esse procedimento, com o mínimo possível de outros animais no espaço; 
  • acessibilidade: o piquete maternidade deve ser projetado de modo a facilitar o acesso e o trabalho de profissionais como veterinários. 

Piquete maternidade na intensificação da pecuária

Um piquete maternidade, portanto, é crucial na boa nutrição dos bezerros. Nesse sentido, cabe ao pecuarista contar com um profissional capacitado, responsável pelo planejamento ideal do rebanho. Zootecnistas, engenheiros agrônomos, consultores de pastagem e veterinários podem auxiliar bastante. 

Equipamentos e maquinários 

Um bom pastejo rotacionado também depende bastante de equipamentos e maquinários. O pecuarista tem o seu trabalho facilitado, além de aumentar a segurança do rebanho e todos os colaboradores envolvidos na operação. O brete, por exemplo, é empregado para facilitar o manejo pela contenção dos animais.

Maquinas para intensificação da pecuária

Além disso, é útil em procedimentos como vacinação, medicação e toque. Outros equipamentos e maquinários de grande utilidade ao pecuarista são: 

  • roçadeira; 
  • trator; 
  • bomba d’água; 
  • botijão de sêmen; 
  • balança, entre outros. 

A depreciação dos equipamentos e maquinários também deve ser observada pelo pecuarista. A manutenção frequente é crucial para eles continuarem desempenhando suas funções pelo máximo de tempo possível, principalmente porque a economia de não fazer a manutenção vai implicar em gastos maiores no futuro. Não obstante, aumenta a chance de perder aquele bem no futuro, mediante a depreciação constante. 

Controlando o nível de intensificação da pecuária por software 

Gerenciar uma fazenda  de pecuária de corte é, sem dúvida, um grande desafio. No entanto, o uso de um software de gestão pecuária pode auxiliar bastante o pecuarista nas muitas atividades do campo. Principalmente, pela transformação da fazenda em números.

A solução Fertili 360 foi criada para auxiliar no processo de intensificação da pecuária. Com foco na otimização de resultados e aumento da lucratividade no campo. Com o nosso software de gestão da pecuária, é possível mapear falhas e corrigi-las, promovendo a melhoria contínua das operações na fazenda.

A ação do Fertili App na Intensificação da Pecuária

A intensificação de uma fazenda auxilia os pecuaristas a produzirem mais por menos. No momento em que eles passam a usar um software, as tomadas de decisão tendem a ser mais acertadas, facilitando o controle e a gestão das atividades do campo. Dessa forma, é possível obter o máximo de proveito do rebanho, por meio do acompanhamento nutricional e da saúde dos animais.

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