Como Fazer a Boa Gestão da Pecuária de Corte?

Como Fazer a Boa Gestão da Pecuária de Corte?
Publicado em: GADO DE CORTE GESTÃO PECUÁRIA METODOLOGIA 360 GESTÃO

Hoje vamos falar sobre gestão pecuária de corte.

Mas antes de iniciar o assunto, precisamos de uma explicação rápida sobre a Metodologia 360. Afinal, ela é o método de gestão pecuária que foi desenvolvido pela equipe Fertili e se tornou indispensável para que os resultados que conseguimos com nossos clientes sejam replicados em outras propriedades criadoras de gado de corte.

A Metodologia 360 consiste em uma gestão integral das atividades em uma empresa pecuária de corte. Contudo, trata-se de uma abordagem que precisa de ferramentas digitais para a captura dos dados de manejo e geração de relatórios.

Essas ferramentas digitais feitas para a pecuária coletam as informações com precisão para que a Metodologia 360 funcione e a gestão da pecuária aconteça com eficiência. No nosso caso, esses meios tecnológico são o aplicativo pecuário Fertili 360 e ferramentas de identificação do rebanho.

Quando tudo isso é aplicado à fazenda de produção de carne, a gestão pecuária de corte é potencializada. Pois, alcança 100% de precisão de dados para decisões melhores, mais produtividade e como consequência disso, o lucro. Por isso, neste artigo, vamos falar sobre os principais indicadores zootécnicos da pecuária de corte. Esses índices são as métricas que darão os dados pecuários a serem analisados em um plano de gestão da propriedade. Além disso, vamos falar dos requisitos indispensáveis a serem observados na estruturação de uma fazenda de corte moderna e lucrativa. Vamos lá?

Os principais indicadores zootécnicos para a gestão da pecuária

Nelore com brinco de identificação

O controle e gestão do rebanho de corte passam necessariamente pela observação dos indicadores zootécnicos. Com eles, é possível obter informações não só quantitativas, mas também qualitativas e produtivas sobre a criação de gado.

Logo, os pecuaristas gestores terão maior facilidade de acertar nas tomadas de decisão em relação à fazenda. Uma vez que, com índices zootécnicos captados e calculados de forma correta e segura, possuirão embasamento em dados precisos e confiáveis sobre o rebanho. Falaremos a seguir de alguns indicadores zootécnicos essenciais para a gestão da pecuária e que devem ser estudados para dar uma uma ideia realista dos resultados dos seus esforços enquanto pecuarista.

Vejamos, iniciando pelos índices relacionados à cria.

Taxa de nascimento 

A taxa de nascimento é o percentual de bezerros que nascem na fazenda, considerando a quantidade de vacas inseminadas ou cobertas. Em outras palavras, o indicador mede quantos filhos a vaca dá à luz ao longo de sua vida útil.

Em casos em que a taxa de nascimento estiver baixa demais, é preciso pensar em manobras específicas. Como por exemplo:

  • saúde das novilhas
  • infraestrutura na estação de monta
  • infraestrutura durante parto e pós-parto

Taxa de mortalidade 

Como o nome sugere, este indicador zootécnico consiste no percentual de bois e vacas mortos em uma fazenda. Além de ser medido considerando um intervalo de tempo, a taxa de mortalidade pode ser determinada em função da idade ou sexo, por exemplo. 

Na gestão da pecuária, é fundamental acompanhar esse índice. Em especial quando a taxa de animais mortos estiver alta. Isso pode indicar algum problema de ordem sanitária (ou até mesmo genético) que esteja interferindo na taxa de mortalidade.

Analisando outros indicadores, é possível também identificar, por exemplo, se alguma planta tóxica ou falha de manejo esteja causando essa elevação no índice de mortalidade do rebanho. Existe ainda uma taxa mais específica que mede o percentual de bezerros que morreram antes do desmame. 

Taxa de desmame e relação de desmame 

Bezerro zebu amamentando

Este indicador mede o percentual de bezerros que desmamam em relação às vacas acasaladas durante o ano agrícola. Vale destacar aqui que a taxa de desmame tem uma relação bastante estreita com os índices de natalidade e mortalidade.

Em outras palavras, quaisquer alterações nessas taxas podem impactar, de modo positivo ou negativo, a lucratividade na fazenda. A relação de desmame é também conhecida por eficiência produtiva da vaca, consistindo na razão entre o peso do bezerro multiplicado por cem e o peso da fêmea.

Idade de abate 

A idade de abate mede o tempo que o bezerro leva até conseguir o peso suficiente para ser abatido. Nesse sentido, é preciso falar um pouco sobre um conceito diretamente relacionado a esse indicador zootécnico: o GMD, ou Ganho Médio Diário. O cálculo deste indicador de produtividade é feito pela subtração do peso atual com o anterior do bezerro, e o resultado é dividido pelo intervalo em dias entre as duas pesagens. 

Esse índice vai estar diretamente relacionado ao manejo nutricional adequado do bezerro. Com base neles, o pecuarista irá tomar decisões como fazer a complementação na alimentação do animal. Afinal, para que o bezerro atinja um GMD necessário ao abate, somente o leite de vaca não é suficiente. Principalmente após os três meses de vida. Porém, essas são decisões que quem faz a boa gestão da pecuária pode tomar com mais precisão e rapidez.

Produção real 

O cálculo de produção real é feito multiplicando o peso do bezerro por 365 e dividindo o resultado pelo intervalo entre partos da vaca. Falando de uma outra forma, o indicador mede quantos quilos de bezerro cada vaca desmamou em um ano.

Ou seja, quanto mais bezerros pesados a vaca desmamar, maior esse índice.

Intervalo entre partos (IEP)

Este indicador consiste em um período médio entre os partos de uma matriz. Ele é correlacionado ao número de bezerros produzidos pela vaca. Dito isso, o Intervalo Entre Partos recomendado é de um ano, visto que o período de gestação das fêmeas em geral é de nove meses.

Vale destacar que o IEP tem relação direta não só com os bezerros, mas também com a produção leiteira da vaca. Além disso, a análise individual é crucial na medição do indicador. Pois, dessa forma, é possível identificar quais matizes do rebanho estão com uma produtividade abaixo do esperado. 

Indicadores financeiros na gestão pecuária

Gestão Pecuária e a importância do controle das finanças

Como foi possível observar até aqui, quantificar o desempenho da produção pecuária é crucial para que o empreendimento no campo tenha um bom retorno sobre o investimento.

Porém, além dos indicadores zootécnicos, para que a gestão da propriedade pecuária seja exitosa e gere lucro, os gestores devem estar atentos aos índices financeiros. Em especial o desembolso por cabeça em um mês, o custo por arroba produzida e o custo por hectare em um ano. 

Desembolso por cabeça em um mês 

Esse indicador é responsável por estabelecer uma relação entre os gastos da fazenda e o rebanho médio (o número de cabeças de gado em um mês). A aquisição das cabeças de gado não deve ser contabilizada aqui. Cabe ao pecuarista quantificar somente os gastos referentes a investimentos produtivos. Recomenda-se que o desembolso por cabeça em um mês seja inferior a R$ 40,00/cabeça/mês.

Como o custo da arroba produzida interfere na Gestão da Pecuária

O custo da arroba produzida depende diretamente do cálculo da produção total na fazenda. O valor obtido é então dividido pelo total de arrobas, para que se saiba quanto foi o custo unitário. O denominador, por sua vez, consiste na realização do seguinte cálculo:

@prod = (estoque final - estoque inicial) + compras - vendas 

Custo por hectare em um ano 

Por fim, o último indicador financeiro a ser citado aqui é o custo por hectare em um ano. A produção de carne em uma fazenda muitas vezes é feita em função de hectares. Reiterando que 1 hectare corresponde a 10 mil metros quadrados. Logo, as pessoas que cuidam da gestão da pecuária usam esse indicador como base para medir o custo da arroba produzida. Em outras palavras, o valor total das atividades realizadas no campo é dividido pela área correspondente à propriedade rural.

Estrutura de uma fazenda com gestão pecuária ideal

Fazenda de corte. Estrutura de curral

Estruturar uma fazenda requer, primeiramente, planejamento. Essa é uma fase essencial em qualquer gestão eficiente dos processos pecuários. Na prática, os gestores devem elaborar um plano de objetivos e metas que sejam viáveis de serem alcançadas. Esse também é o momento de inserir no planejamento como esses objetivos e metas serão alcançados e em quanto tempo. É sugerido que seja feita uma projeção do ciclo pecuário seguinte e de como a fazenda estará em um intervalo entre cinco ou dez anos.

Condições topográficas 

A verificação das condições topográficas do lugar também é fundamental. Esse aspecto influencia diretamente no pasto e na produção de silagem na fazenda.

O recolhimento de amostras do solo é bastante recomendável nesse sentido, inclusive a verificação da qualidade do capim.

Obter tais informações ajuda o gestor a saber se precisa ou não trabalhar para que aquela plantação nativa tenha uma melhor qualidade, visando a alimentação do gado.

Distribuição de aguadas 

A água de açudes, córregos e rios, embora potável, precisa de análise física, química e microbiológica. O objetivo do procedimento é assegurar que os animais e o ambiente não se contaminem, visto que todas as aguadas do terreno são movidas para os bebedouros. Essa análise precisa ser feita pelo menos uma vez ao ano. 

Curral 

Sobre o curral, ele costuma ser construído próximo à sede da fazenda. Sendo crucial que seja um local seco, firme, de preferência plano e livre de erosão. Além disso, a seringa é uma parte indispensável do curral. Essa uma divisória impacta diretamente a eficiência na hora de encaminhar os animais até o brete. Nesse sentido, pode-se optar pela seringa simples ou dupla, pois proporciona maior facilidade no manejo, além de fluxo contínuo dos animais. 

Outros elementos que não podem faltar em um curral são:

  • galpão: um dos seus objetivos é abrigar o brete, tronco de contenção, apartador e balança. Recomenda-se que seja aberto e sem cobertura; 
  • brete: encaminha cada animal ao tronco de contenção, onde ele pode ser banhado, por exemplo; 
  • tronco de contenção: costuma ficar no final do brete e evita a fuga dos animais; 
  • apartador: fica após o tronco de contenção, com a finalidade de separar os animais;
  • balança: fica após o apartador e serve para tornar mais fácil distribuir os animais para os currais ou embarque; 
  • cercas: delimitam as pastagens, podendo ser feitas de arame liso e cercas elétricas. No entanto, deve-se ter cuidado com o arame farpado, pois ele fere os animais e pode desvalorizar o produto final; 
  • área de lazer: área comum a todos os piquetes, onde são colocados os cochos e bebedouros; 
  • farmácia: além do estoque de medicamentos mais utilizados, é preciso armazenar os produtos de forma adequada, priorizando sua qualidade e eficiência; 
  • embarcadouro: deve ter uma altura adequada para evitar que os animais sofram acidentes ao serem embarcados. Assim, evita-se que os animais morram ou tenham redução no valor comercial. 

Cochos 

Cocho para rebanho nelore

A finalidade dos cochos é atender todo o lote ou rebanho, de modo a permitir que todos os animais tenham uma boa nutrição, tanto em qualidade como em quantidade. Além disso, eles precisam ser bem localizados e em locais que não fiquem alagados em dias de chuva ou haja formação de lama. Se houver pedras ou materiais pontiagudos no local, estes devem ser removidos, para que não venham a machucar os animais. 

Os cochos devem ter ainda uma fácil acessibilidade, de preferência com escoamento e cobertos. Estes cuidados são cruciais, pois se os cochos estiverem inadequados, aumenta-se o risco falhas na dieta dos animais e intoxicação do rebanho. Não obstante, a angulação e o material usados na construção dos cochos pode tornar mais difícil o consumo dos animais, ou ainda causar um empedramento dos suplementos. 

Bebedouro 

A qualidade da água e a higienização dos bebedouros são fatores que influenciam diretamente no GMD do rebanho. Isso porque a água de baixa qualidade pode contaminar o rebanho com doenças como: 

  • diarreia; 
  • verminoses; 
  • leptospirose. 

Caso o animal esteja ingerindo pouca água, menor será o seu consumo de matéria seca pelo gado. Isso ocorre porque a água é necessária para a correta digestão dos alimentos. Também é importante evitar que o animal ande muito quando estiver com sede. Caso as distâncias sejam longas, ele desistirá de beber ou acabará perdendo peso por ter de andar muito. Os bebedouros devem ter ainda 2 centímetros lineares por cada cabeça que esteja no pasto, sendo necessária a realização de limpezas periódicas.

Gestão pecuária também é sobre pessoas

Mão de obra capacitada para gestão pecuária 

Construir uma fazenda com todos os elementos citados é algo que deve ser feito por profissionais qualificados. Fazer a gestão da pecuária, também é gerir pessoas. Visto que o pecuarista cria, compra e vende o gado, mas ele faz isso de e para pessoas.

Nesse sentido, o estreitamento dos laços com frigoríficos e comerciantes é fundamental. Uma carteira de contatos para tais negociações se faz indispensável para o pecuarista engajado.

 

Além disso, há ainda a relação do gestor da fazenda com os peões e técnicos. Os profissionais envolvidos na produção de carne e manejo do gado devem ser capazes de garantir manejos corretos e o máximo bem-estar do animal. O entendimento e o alinhamento de objetivos da propriedade são fundamentais. Pois isso aumenta as chances de todo o trabalho ser bem feito.

Tecnologia e gestão da pecuária (a bandeira que defendemos)

Sobre o uso de tecnologia, de nada adianta ela ser de ponta, se não houver colaboradores que saibam operar ferramentas e sistemas. Por isso, é importante investir em softwares de gestão pecuária e máquinas que sejam intuitivos e fáceis de usar. Desse modo, além dos conhecimentos sobre a fazenda, é importante treinar o vaqueiro para manusear e tirar o máximo proveito dos meios tecnológicos.

O bom gestor de fazenda sabe que colaboradores que se destacam devem ser valorizados e receber remuneração variável. Para isso, estabelecer um calendário com as rotinas a serem feitas na fazenda ajuda muito. Pois, dá clareza à equipe sobre as atividades a serem realizadas. Dessa forma, fica mais fácil determinar um nível de prioridade nas tarefas, além da periodicidade delas e quais profissionais são os mais indicados para cada manejo. 

Boa gestão precisa de 100% de precisão de dados

A gestão da pecuária necessita do controle de manejos e da captura correta dos dados. Para isso, é imprescindível o uso de ferramentas tecnológicas. Criamos o Fertili 360 e a Metodologia 360, duas coisas que, aliadas a ferramentas de identificação animal, fornecem dados precisos e os mantêm seguros e bem estruturados em relatórios.

Além disso, a rotina na fazenda deve ser acompanhada a partir de um calendário de manejos bem estabelecido, considerando atividade e periodicidade. Algumas das principais práticas relacionadas são: 

  • verificar e distribuir alimento e água nos cochos e bebedouros; 
  • trocar animais de pasto; 
  • controlar e verificar o rebanho; 
  • pesar, vacinar e banhar os animais. 

A Metodologia 360 aplicada ao campo é uma gestão integral das atividades pecuárias. Se você busca tornar a fazenda mais inteligente e alinhada com a transformação digital, saiba que nós da Fertili vamos ajudar você nisso e elevar o nível da sua produção. Aqui, você encontra soluções tecnológicas criadas para controle pecuário e 100% precisão de dados.

Se desejar mais informações de como podemos impactar a gestão da sua fazenda, entre em contato conosco agora mesmo!